Já é visível o futuro da Festa

<font color=0093dd>Um novo <i>chão nosso</i> está a nascer</font>

Gustavo Carneiro

Uma visita aos terrenos onde em Setembro se realizará a 40.ª Festa do Avante! é uma autêntica viagem ao futuro: entre escavadoras e tractores, projectos e montes de terra, é já possível ter uma ideia de como será o futuro da Festa.

A Quinta do Cabo e a Quinta da Atalaia são já um único terreno, sem redes a separá-las. Em Setembro, quando a Festa abrir, elas estarão totalmente unidas

A Quinta do Cabo está já muito diferente do terreno que o PCP adquiriu em 2014 e, em Outubro desse mesmo ano, mostrou aos milhares de militantes e simpatizantes que participaram no comício que marcou o lançamento da campanha de fundos «Mais Espaço, Mais Festa. Futuro com Abril» (que termina no final deste mês). O espaço verdejante e aparentemente imaculado – não fossem as duas grandes chaminés de tijolo e uma ou outra construção em ruínas – deu lugar um terreno onde tudo está em profunda transformação: as chaminés estão a ser restauradas e há valas abertas, caminhos traçados e perímetros delineados.

Foi no ponto mais alto da Quinta do Cabo, com uma soberba vista sobre a baía do Tejo, que escutámos as explicações de Telma Capucho, que no Secretariado da Festa assume a responsabilidade pelo Gabinete de Projecto: «ali ao fundo vai ser a nova entrada, aqui vai estar o Espaço Central, ali o Porto e daquele lado Braga», explicou, indicando os locais onde serão erguidos os diferentes espaços, que hoje são pouco mais do que marcas no solo. Algarve e Coimbra também estarão instalados no novo terreno, tal como o Avanteatro e o Palco Arraial.

Como foi assumido desde o início, a Quinta do Cabo vai ser um espaço nobre da Festa: ali será realizado o acto público de abertura, com a presença do Secretário-geral, Jerónimo de Sousa; ali estarão patentes exposições e realizar-se-ão debates e espectáculos; ali será também possível comer, beber, descansar e conviver com a melhor vista possível sobre o rio e sobre Lisboa. A localização da nova entrada permitirá colocar de imediato os visitantes no coração da Festa, algo que anteriormente não sucedia, e o alargamento leva a que pela primeira vez ela seja vista de fora.

Um só espaço, uma só Festa

Começa a não fazer qualquer sentido falar em Quinta do Cabo, dado que hoje não há qualquer separação entre este terreno e a Quinta da Atalaia. As redes que as separavam foram derrubadas e é já visível o traçado dos caminhos que unificarão definitivamente as duas quintas. Percorremo-los todos com Telma Capucho, que nos ia explicando o que estava a ser feito e o que nasceria em cada um dos locais.

Ao lado do Posto de Saúde, onde se encontrava o Acampamento, passará a estar um renovado e amplo Espaço Criança. A zona do lago, onde continuará a estar instalada a grande tenda do Auditório 1.º de Maio, passa a ser uma via privilegiada de passagem que nasce da actual Quinta do Cabo e sobe depois para o largo do Palco 25 de Abril, através de uma ampla estrada. Como é evidente, as obras maiores e com mais impacto estão actualmente concentradas no novo espaço, onde é necessário construir de raiz as infra-estruturas de água, saneamento e electricidade e as estradas alcatroadas, mas a Atalaia está também em revolução profunda.

Para quem percebe pouco ou nada de obras e infra-estruturas, uma pergunta impôs-se: estará tudo pronto para a Festa? Telma Capucho garante que sim, pois os trabalhos decorrem dentro dos prazos previstos e ainda este mês será plantada a relva nos pontos em que a terra foi remexida. Mas, afirma a responsável, estar «tudo pronto» não significa que todas as intervenções necessárias sejam feitas já para a 40.ª Festa. Tal como sucedeu com a Quinta da Atalaia, todos os anos serão realizadas obras de melhoramento no actual terreno da Quinta do Cabo e novos espaços poderão ainda surgir num futuro mais ou menos próximo.

Ideias há, e muitas, como pudemos testemunhar na breve paragem na sala do Gabinete de Projecto, onde se encontravam, entre projectos e maquetas, a arquitecta Sara Gusmão e a paisagista Isabel Ferro. Ocupadas principalmente com as obras em curso (da nova entrada à praça que vai nascer no coração da Quinta do Cabo, passando pelo novo Espaço Criança), Sara, Isabel e Telma não esquecem os projectos de longo prazo, alguns dos quais não estão ainda sequer definidos ou decididos. Se o plano de reflorestação é mesmo para avançar, um anfiteatro natural e um miradouro sobre a Baía do Seixal são para já apenas ideias. Que uma Festa melhor está a nascer, isso é uma certeza.

 



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